Bonsucesso F.C

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O PAPEL DOS OBSERVADORES TECNICOS NOS CLUBES DE FUTEBOL

Prognóstico de talentos, subjetivo e extremamente complexo, deve contar com o respaldo de uma abordagem prática e científica

"Fabrício Moreira "

Um dos mais recentes profissionais contratados para compor a equipe de trabalho de base dos clubes brasileiros são os denominados “experts” na detecção e seleção de novos talentos para as grandes agremiações. São os chamados “observadores técnicos”, mais conhecidos no meio esportivo como “olheiros”, responsáveis pela busca cada vez maior por craques para os times secundários.

Nestes casos, os clubes buscam contratar esse tipo de profissional para correr as grandes regiões e seleiros de grandes jogadores do país. São muitas vezes ex-atletas dos próprios clubes que passam a exercer essa função no departamento de base.

No entanto, a sua figura, o seu papel e a sua função como identificador de talentos leva a alguns questionamentos. De que competências devem dispor um observador? Como se baseiam tais competências? Qual deva ser ou não a sua qualificação? Ou, principalmente de quais critérios se baseiam os avaliadores na detecção do talento? Como deverá ser um processo de seleção de jovens atletas para o futebol de competição? Quais variáveis relevantes para determinar o futuro desempenho?

Como se vê, não faltam questões para se discutir sobre o papel e os critérios do campo de atuação do avaliador técnico. Além disso, é preciso entender a fundamentação teórica ou científica sobre os princípios e requisitos utilizados na avaliação de atletas. É indiscutível a importância do avaliador na tomada de decisão no processo de detecção de talentos para o futebol como um todo.

Ora, isso relembra o futebol com preocupação, atendendo ao nível de formação de muitos daqueles que o dirigem, organizam e o realizam.

Desta maneira, vale recorrer ao convite da prefigura sociedade pedagógica (Bento; Garcia; Graça, 1999): porque é inaceitável e é expressão de irracionalidade, de oportunismo e imoralidade a animosidade de muitos treinadores contra a formação, contra o conhecimento, contra as ideias.

A questão é que tal prognóstico de talentos, subjetivo e extremamente complexo que vem sendo realizado por treinadores, professores e avaliadores, tenha o respaldo de uma abordagem prática e científica, que não tem a intenção de substituir a importância dos “experts”, mas sim auxiliar sobremaneira na identificação e formação do talento futebolístico.

Portanto, devem ser elaboradas pesquisas fundamentadas nos critérios de detecção de talentos, em específico no futebol pela relevância cultural no país, por parte das equipes técnicas com referência aos aspectos do treinamento esportivo (bio-psico-sociais): desenvolver capacidades motoras e meios de avaliação e testes específicos; identificar variáveis relevantes e críticas; integrar pesquisadores com os técnicos (teoria e prática); pesquisar a forma dos programas de promoção e seleção de talentos; promover a capacitação e interação dos profissionais na área de formação e promoção de talentos esportivos.

A incerteza da avaliação e variedade de critérios são características do sistema de promoção de talentos. Mesmo o critério de surgimento de desempenho precoce é no máximo avaliado criticamente com um indicador fraco e tido também como o responsável por altas perdas de talentos futuros.

Essa incerteza do prognóstico junto a orientações práticas de ações tem resultados do conhecimento e da experiência, fundamentados na ciência, com significado prático, mediante sucessos em competição.

Vale lembrar que a detecção de talento está ligada diretamente ao processo de treinamento consciente, efetivo, planejado em longo prazo e organizado na integração da promoção do talento.

Nesse processo de desenvolvimento e mudança há a responsabilidade do observador técnico e da equipe de trabalho sob complexidades humanas e técnicas de alto grau de liberdade e quantidade ilimitada de variações com caráter indeterminado.

Essas são algumas das reflexões sobre o papel do observador técnico e seus procedimentos adotados na maneira de captar e formar novos talentos que revestem grande interesse para a investigação.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FUTEBOL FEMININO NO BRASIL




Quem pensa que futebol feminino é novidade, está muito enganado. Inglaterra e Escócia foram os personagens da primeira partida de futebol entre mulheres, em 1898, em Londres.
No Brasil, a primeira partida de futebol feminino foi realizada em 1921, em São Paulo, onde enfrentaram-se os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses.
Mas o que hoje é tão normal para nós levou muito tempo para ser conquistado. Em 1964, o Conselho Nacional de Desportos - CND proibiu a prática do futebol feminino no Brasil. Levou tempo para mudar essa situação. A decisão só foi revogada em 1981. E em 1996 o futebol feminino foi incluído como categoria nas Olimpíadas. O Brasil ficou com o quarto lugar, a mesma colocação que obteve nas Olimpíadas de Sydney, em 2000.


Em 2003, sob o comando do técnico Paulo Gonçalves, as meninas conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Panamericanos e também o tetracampeonato sul-americano.
A seleção brasileira conquistou a medalha de ouro do torneio de futebol feminino dos XV Jogos Pan-Americanos Rio-2007.
Foi um fim de filme perfeito. Com tudo saindo conforme o script. Maracanã lotado, festa da torcida na arquibancada, show de Marta em campo, goleada de 5 a 0 sobre os Estados Unidos e medalha de ouro no peito. Ainda que os EUA tenham trazido o time B, isso não diminuiu os méritos das brasileiras. A campanha foi irretocável. As meninas do futebol feminino terminaram a campanha do bicampeonato no Pan-Americano, com seis vitórias em seis jogos. Foram 33 gols marcados e nenhum sofrido. O show foi comandado pela estrela brasileira Marta que fez dois gols e ainda deu passes para outros dois. A melhor jogadora do mundo teve o nome gritado pela torcida e ganhou até uma música durante o segundo tempo. No fim, ela termina o Pan-Americano como melhor jogadora e também artilheira da competição, com 12 gols.

As meninas do futebol deixaram o Estádio Karaiskaki com a medalha de prata no peito, mas fizeram campanha de ouro em Atenas. A derrota por 1 a 0 na prorrogação, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal, nesta quinta-feira (26/08), em Atenas, não abalou em nada o desempenho da seleção, que superou inúmeras dificuldades para alcançar o segundo lugar e subir ao pódio pela primeira vez na história.

O fato de terem encarado o poderoso time dos Estados Unidos de igual para igual, e até terem jogado melhor na maior parte do confronto, mostrou a grandeza das jogadoras. Durante a período de preparação e da Olimpíada, elas, que em sua maioria estão desempregadas, receberam a irrisória quantia de R$ 35,00 por dia, além de uma ajuda de custo. As campeãs ganharam cerca de US$ 4 mil mensais nos quatro meses em que ficaram treinando para os Jogos. Ou seja, aproximadamente 11 vezes mais. Pelo título, cada americana vai embolsar US$ 25 mil ou R$ 75 mil, mais do que muitas brasileiras faturaram em toda a carreira.

Na cerimônia de entrega de medalhas, um misto de decepção e alegria. A felicidade pela conquista da inédita medalha. A tristeza pela forma como o Brasil perdeu o ouro. Criou chances para ganhar, foi prejudicado pela arbitragem, pecou em pequenos detalhes e acabou caindo diante de seu maior rival. Em 20 duelos até nesta quinta-feira, os Estados Unidos haviam vencido 17, perdido só um e empatado dois.

"No vestiário, algumas jogadoras choraram, eu tentei levantar o ânimo delas, foi difícil aceitar uma derrota como essa, mas é o futebol", declarou René Simões, visivelmente aborrecido.

O jogo foi digno de uma grande final, com tom dramático do começo ao fim, oportunidades de gol e indefinição até o último segundo. A personalidade das brasileiras em campo foi marcante. Não se intimidaram em nenhum momento contra o "dream team" do futebol feminino, ouro em Atlanta-96 e prata em Sydney-2000, além de vencedor de dois Mundiais, em 1991, na China, e, em 99, em casa.

Se é que existe justiça ou injustiça no esporte, o Brasil, sem dúvida, merecia ter saído como campeão olímpico. O início foi equilibrado e as americanas acabaram acertando o primeiro bom chute, com Lindsay Tarpley, para abrir o placar, aos 39 minutos. A origem do lance, porém, foi irregular. Kristine Lilly passou a bola para a companheira com o braço, mas a juíza Jenny Palmqvist não percebeu.

As sul-americanas não desanimaram e foram em busca do empate. O gol de Pretinha, após excelente jogada de Cristiane, aos 28 da segunda etapa, levantou ainda mais o astral do time e calou a torcida americana, maioria entre os 10 mil espectadores. Até o fim do tempo normal, só o Brasil jogou. Cristiane e Pretinha acertaram a trave da sortuda goleira Briana Scurry, enquanto as rivais não viam a bola.

Os deuses pareciam estar ao lado de Mia Hamm, a famosa atacante norte-americana, de 32 anos, que pendurou as chuteiras assim que acabou a partida. Queriam dar a ela o ouro na despedida.

Antes da prorrogação, um fato curioso. A árbitra Palmqvist torceu o tornozelo direito e foi substituída por Dianne Ferreira-James, da Guiana. E Dianne não entrou bem. Na primeira etapa do tempo extra, não deu um pênalti para o Brasil. Daniela arrematou para o gol. A bola foi desviada pela mão de uma zagueira americana. No fim, faltando 9 minutos para a decisão por pênaltis, Abby Wambach cabeceou com força para dar o ouro aos Estados Unidos, o segundo em três Olimpíadas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

PERIODIZAÇÃO NO TREINAMENTO


Macrociclo de treino:
O macrociclo é o planejamento do treinamento das atividades dentro de um tempo pré estabelecido, que possibilite uma resposta fisiológica e morfológica das metas propostas.
Os macrociclos possibilitam possíveis mudanças e/ou adaptações dependendo das respostas morfo-flsiológicas apresentadas pelo atleta ao longo da planificação ou de possíveis alterações que possam ocorrer em relação a enfermidades, viagens, contratempos e outros.
Matveev (1981), apresenta um processo de desenvolvimento da forma desportiva dividida em uma seqüência de três fases: Aquisição, manutenção e perda temporária.
A temporada de treinamento (macrociclo) deve ser dividida em períodos, os quais permitirão que o treinador organize as cargas de treino e as controle.
1.Período Preparatório - E o que assegura o desenvolvimento das capacidades funcionais do organismo do atleta e tem como objetivo resolver as tarefas de aperfeiçoamento de vários aspectos específicos do estado de preparação do atleta. Este período é subdividido em duas etapas : Geral e Especial.
2.Período Competitivo - Neste período devemos compor a estrutura do treino, voltado diretamente para a realização das atividades específicas do esporte e criar condições para a manutenção da forma desportiva.
3.Período Transitório - Este período contribui para a recuperação completa ou parcial da adaptação do organismo do desportista e serve de elo de ligação entre os vários macrociclos de preparação.

Mesociclo de treino:
É um período de treinamento que engloba uma seqüência ordenada de microciclos, caracterizando uma determinada estrutura organizacional dentro de uma periodização. Segundo Dantas (1995) os mesociclos possibilitam a obtenção de um resultado cumulativo das cargas utilizadas em cada microciclo e adequando-as à reação que o organismo do indivíduo é capaz de oferecer no transcurso do tempo.
Para possibilitar um melhor aproveitamento das cargas de treino e conseqüentemente, a preparação para os mesociclos posteriores, a duração dos mesociclos devem ser de 3 a 6 semanas.

O Mesociclo apresenta uma série de características que nos permitem classificá-lo:

Lugar do mesociclo no sistema de treino; Tipos de microciclo que compõem o conteúdo do mesociclo;
Composição dos tipos de treinos aplicados no mesociclo;
Aplicação sistemática das cargas e sua dinâmica do mesociclo.
Podemos classificar os Mesociclos em:

1) Incorporação ( adaptação ) - É utilizado no início do período de preparação, visando possibilitar a passagem do atleta da situação de repouso ativo para a de treinamento. Para o mesociclo de incorporação, é característica a intensidade relativamente baixa com aumento gradual do volume geral de exercícios.
2) Básico - Este nome generalizado reúne alguns tipos de mesociclos, nos quais se realiza o principal trabalho de treino quanto ao aperfeiçoamento de diversos aspectos da preparação do atleta. Os estímulos utilizados deverão propiciar uma nova adaptação do estado morfofuncional do atleta.
3) Estabilizador - Visa à consolidação das mudanças obtidas anteriormente, que são asseguradas pela redução insignificante ou a estabilização da grandeza alcançada antes das cargas.
4) Preparatório de Controle - E geralmente com este mesociclo que termina o período preparatório. O trabalho de treino é combinado com a participação em competições (por vezes unidas numa série de partidas), que desempenham a função preparatória de controle. Os problemas detectados deverão ser de pronto atacados de forma a não prejudicar as performances futuras esperadas.
5) Pré-competitivo - É empregado antes de competições muito importantes e apenas para atletas de alta qualificação. Procura, através da aplicação maciça de cargas importantes e períodos relativamente amplos de recuperação, provocar uma quebra na razão de crescimento do condicionamento do atleta conduzindo-o a patamares mais elevados de performance.
6) Competitivo - Não possui estrutura pré-estabelecida, pois as exigências da periodização se subordinam às necessidades de performance.
7) Transição - Visa principiar a recuperação metabólica e psicológica adequadas, por meio de uma recuperação ativa.

Microciclo de treino:
Representa um somatório de sessões de treinamento em um período normalmente utilizado de uma semana. O número de sessões em um microciclo varia de três a oito vezes, dependendo da condição física inicial do atleta e do objetivo do programa.
A distribuição das sessões ao longo da semana, depende do tempo disponível do atleta e do intervalo de recuperação. Os microciclos podem ser subdivididos e compreendidos como:
1. Adaptação ou Incorporação - É caracterizado por uma intensidade de trabalho entre 40 a 60% de um possível máximo apresentado pelo atleta. E normalmente utilizado no início do programa de condicionamento físico e serve como preparação do aparelho cardiovascular e neuromotor à cargas de intensidade superiores.
2. Desenvolvimento ou ordinário — Visa provocar adaptações orgânicas desejáveis, capazes de aumentar o nível de condicionamento geral do atleta. E caracterizado por uma intensidade de trabalho entre 60 a 80% do máximo.
3. Recuperativo - Caracteriza-se por apresentar estímulos reduzidos e um número maior de dias de repouso, possibilitando uma adequada recuperação metabólica ativa.
4. Recuperativo de Apoio - Reduz consideravelmente os ritmos de perda de preparo do atleta, assegurando com isto a recuperação efetiva dos sistemas que ficam num estado reprimido.
5. Choque - Este tipo de microciclo caracteriza o ápice da aplicação de carga de um mesociclo. Este ápice pode ser de volume se o mesociclo for da fase básica ou de intensidade no caso de estar localizado na fase específica. As cargas de trabalho variam entre 80-l00% do máximo.
6. Estabilizador - É aplicado com o objetivo de assegurar a estabilidade do estado do organismo do atleta.
7. Preparatório de Controle - Combina-se o trabalho de treinamento com a participação em competições de controle e a execução de exercícios de teste. De acordo com os resultados obtidos, faz-se a correção para as etapas posteriores de preparação do atleta.
8. Pré-competitivo - A tarefa deste microciclo consiste em assegurar o estado de prontidão otimizada corrente para o dia das competições, graças à mobilização de todas as capacidades potenciais do atleta, acumuladas no processo de preparação precedente, e a adaptação às condições específicas destas competições. O microciclo pré-competitivo inclui alguns últimos dias antes das competições principais.
9. Competitivo - Não possui estrutura pré determinada. O regulamento e a forma de competição é que estipularão como serão ordenadas as atividades do ciclo. A performance passa a ter prioridade absoluta e todas as ações serão realizadas buscando a eficácia máxima.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A IMPORTÂNCIA DO FUTEVÔLEI NOS TREINAMENTOS DE FUTEBOL PARA OS ATLETAS

De que forma essa tradicional prática das praias pode beneficiar os futebolistas profissionais?

Professor Alexandre Julião

Esta “modalidade esportiva” foi criada em 1965, nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro, para burlar a policia da proibição de jogar futebol e linha de passe na praia. A atividade era praticada numa área semelhante a uma quadra de vôlei com rede e campo delimitado, o que era permitido. Um dos seus fundadores foi o jogador Almir Pernambuquinho, seguido de Vavá (que jogou a Copa do Mundo de 1962) e muitos outros jogadores, como Doval, Edinho, Júnior, Cláudio Adão, Romário, Renato Gaúcho, dentre outros.
Trata-se de uma modalidade que apresenta um grau de dificuldade enorme, desde a areia pesada até a alta técnica necessária para recepção, passe e ataque ao campo adversário. Dificilmente um atleta com limitações técnicas consegue praticar o futevôlei. A habilidade (ou a falta dela) é fácil de ser detectada por qualquer pessoa, pois a bola foge do controle ao menor erro técnico.
É preciso controlar a técnica com a força, com a direção bem controlada, antever o que o adversário pretende realizar, oferecendo ao atleta a oportunidade de desenvolver habilidades que o ajudarão a levar uma grande vantagem para a prática do futebol.
Alguns clubes de futebol estão utilizando o futevôlei como complemento de treinamento técnico, na sua maioria praticada na caixa de areia utilizada para treinamento físico - os atletas procuram praticar antes ou após os treinos.
Uma recomendação é que o futevôlei seja realizado numa quadra com grama e de chuteiras. Assim, estaríamos praticando mais próximo da realidade do jogo de futebol. Nesse sentido seria também conveniente a presença de um membro da comissão técnica para realizar aquecimento e monitorar a carga do treino.
Alguns ganhos técnicos que o futevôlei proporciona podem ser levados para os jogos de futebol, como os citados abaixo:
1-Controle na força e direção nos cabeceios, principalmente ofensivos. Nos cabeceios defensivos, melhora da direção na troca de passes.
2-Controle de força e direção no passe de primeira com a parte interna do pé.
3-Melhora da técnica de passe das bolas altas com o peito e coxa.
4-Melhora da técnica de finalização com a parte interna do pé, principalmente quando a bola se encontra mais próxima à baliza adversária.
5-Aumento do controle da técnica e força nas finalizações por cobertura na saída dos goleiros.
6-Melhora da técnica defensiva para as bolas de variadas alturas.
7-Aprimoramento da “leitura” de jogadas possíveis do adversário.
8-Estímulo do nível de criatividade em relação às técnicas de jogo.
Esses ganhos são observados claramente nos atletas de futebol profissionais. Um exemplo clássico é Romário, praticante assíduo de futevôlei e que fez muitos gols de cabeça e de pé, sem dúvida beneficiado pela prática dessa modalidade. Júnior, ex-lateral esquerdo da seleção brasileira, fez belas jogadas no futebol e no futebol de praia pela prática frequente do futevôlei. Carlinhos Bala é outro atleta que, apesar de sua baixa estatura, faz muitos gols de cabeça, favorecido pela prática dessa atividade.
Quanto à forma de prática, o futevôlei deve ser preferencialmente praticado em terreno gramado, com chuteiras e com a bola que é usada na competição de futebol, mas nada impede de se fazer outras adaptações dependendo dos objetivos a serem atingidos. Podem também ser estimulados campeonatos internos, de caráter recreativo, inclusive com a participação dos membros da comissão técnica, como forma de integração, motivação e também jogado em duplas, trincas etc.
O jogo pode ainda ser realizado com a rede baixa, podendo a bola dar um toque no solo por ataque em cada lado do campo. Cada atleta poderá dar um ou dois toques na bola. Enfim, as regras e adaptações podem ser feitas ou modificadas de acordo com o objetivo da comissão técnica, conforme já destacamos.
O controle das atividades, com quaisquer características, via de regra, deve ficar a cargo dos profissionais responsáveis (treinador, preparador físico, assistente) pela programação dos treinamentos, procurando, assim, evitar-se os excessos.
Enfim, entendemos que de forma geral o futevôlei constitui-se em prática que deve ser estimulada em face de seus inúmeros e inegáveis benefícios aos jogadores de futebol.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

TREINAMENTO DE FORÇA PARA CARDIOPATAS


O diagnóstico das cardiopatias passa primeiramente por um exame clínico (anamnese + exame físico), que pode ser complementado com testes cardiológicos de menor ou maior complexidade e custo. O eletrocardiograma de repouso, o raio X de tórax, o teste de esforço em esteira ou bicicleta e o ecocardiograma são os exames mais comumente solicitados pelos cardiologistas.
Em algumas situações, é solicitado o ecocardiograma transesofágico ou cintilografia miocárdica ou cineangiocoronariografia. A maior parte destes exames são indolores e não invasivos, sendo seguros para os pacientes.
O paciente cardiopata pode realizar exercícios físicos, desde que seja feita uma avaliação prévia realizada por cardiologista ou por médico do esporte habilitado em questões cardiológicas. O médico irá avaliar individualmente qual o melhor tipo de exercício a ser realizado, assim como a intensidade do mesmo. O ideal é que o cardiopata tenha o apoio tanto do educador físico, quanto do médico para a realização de seu programa de atividade física.
Segundo Stein, o teste de exercício em esteira ou bicicleta (ergometria ou ergoespirometria) é indicada para cardiopatas que desejam iniciar um programa de exercício físico. ``Existem programas de reabilitação cardíaca que servem para inserir ou re-inserir o exercício na vida de alguém que apresentou um evento cardíaco. Nestes, o exercício aeróbico de baixa a moderada intensidade e longa duração é a escolha``, acrescenta o médico.
``Os exercícios de alta intensidade devem ser evitados, salvo em situações especiais. Alongamento, flexibilidade e exercícios com pesos (carga baixa e várias repetições) também devem ser incentivados. Em suma, a atividade física quando realizado de forma regular e crônica é um fator de proteção para o paciente com cardiopatia estável``, complementa.
O recomendável é que homens a partir dos 35 anos e mulheres a partir dos 45 anos sejam submetidos a um exame de pré-participação para prática esportiva. Na Itália, por exemplo, a lei obriga que todos os atletas passam por avaliações pelo menos anuais. Tanto em atletas quanto em não-atletas, essa avaliação deve ser preferencialmente realizada por médico com formação em exercício e tem como objetivo fazer um apanhado clínico do indivíduo que irá auxiliar na promoção da saúde, na performance, além de poder reduzir possíveis riscos.
A morte súbita relacionada ao exercício é um evento muito incomum. O problema consiste no fato de que, quando um atleta é vitimado e a sua agonia é transmitida em tempo real e re-transmitida milhares de vezes pela televisão ou Internet, acaba-se criando uma idéia de que todos podem cair fulminados a qualquer momento, seja no futebol com os amigos ou em uma caminhada na praça.
Na verdade, todos esses atletas apresentavam algum tipo de doença cardíaca prévia, tendo um coração anormal (a maior parte deles era portadora de uma doença conhecida como miocardiopatia hipertrófica assimétrica).
A grande maioria dos atletas é formada por pessoas sem doença e que têm um risco minúsculo de morrer subitamente (aqui cabe uma analogia com os acidentes aéreos ¿ são milhares de vôos todos os dias, mas quando um avião cai existe um frenesi que gera insegurança e muita fantasia - assim como andar de avião é seguro, fazer exercício com regularidade também é um fator de proteção, tanto para saudáveis quanto para cardiopatas). Por outro lado, deve-se salientar que o sedentário que se expõe ao exercício vigoroso apresenta maior risco de morrer subitamente do que aquele que se exercita regularmente. O maior risco está em não fazer exercício.
Por definição, a morte súbita relacionada ao exercício é aquela que ocorre por causa cardíaca, de forma inesperada, em até uma hora após a interrupção do esforço físico, excluindo-se os esportes com risco inerente como montanhismo, paraquedismo, vôo livre em asa delta, entre outros. Abaixo dos 35 anos a principal causa de morte súbita é a miocardipatia hipertrófica assimétrica. Já acima dos 35 anos a cardiopatia isquêmica é a doença mais implicada.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PREPARAÇÃO FÍSICA DE GAROTOS DE BASE MERECE ATENÇÃO ESPECIAL

Preparadores devem priorizar as atividades aeróbicas nos treinamentos

Cada vez mais os campeonatos de base ganham destaque no cenário internacional do futebol. Recentemente a CBF convocou uma seleção sub-13 para disputar um torneio amistoso no Catar e a Copa do Mediterrâneo na Espanha. A participação de meninos em torneios internacionais levanta o tema sobre quais os cuidados que se deve ter quanto à preparação física.Como os atletas estão em fase de crescimento, o esporte competitivo pode ocasionar danos.
Os treinamentos devem ser feitos com extremo cuidado. Cargas excessivas durante as atividades musculares podem prejudicar o desenvolvimento futuro das crianças, principalmente no ritmo do crescimento em altura e no desenvolvimento somático.O aparelho locomotor é outra região gravemente atingida por atividades físicas intensas. Ele pode sofrer "fraturas espontâneas" ou uma resistência desproporcional entre a parte óssea e a hipertrofia muscular apresentada.Os ossos também podem ser vítimas de alterações estruturais, que também podem acontecer no aparelho capsuligamentar das articulações, em caso de treinamento esportivo intenso realizado por longos espaços de tempo.Para grande parte dos fisiologistas o mais indicado é a realização de treinamentos de média intensidade e longa duração, no caso das atividades aeróbicas. As ações anaeróbicas, de curta duração e alta intensidade, devem ser evitadas ao máximo.O treinamento aeróbico prepara a criança para futuras sobrecargas de treinamento esportivo (já quando estiver com idade mais avançada). Além disso, provoca o aumento da capacidade aeróbica máxima.Esse tipo de atividade também atua em caráter preventivo. Indivíduos com capacidade aeróbica máxima elevada têm menos incidência de problemas cardiovasculares. Outra vantagem das atividades aeróbicas é que elas podem ser transformadas em brincadeiras, reduzindo o risco do treinamento cair na rotina e desmotivar os garotos. Brincadeiras infantis mesmo, como os tradicionais "pega-pega", "bandeirinha", "alerta", e tantas outras, são excelentes alternativas.
Ações que aliem a bola com uma "correria organizada" também podem ser bastante úteis. Os jogos em campos reduzidos são indicados por aliar aspectos aeróbicos com outros fatores como velocidade de raciocínio, além de ser um bom treinamento de fundamentos também.
Independente dos métodos de treinamento escolhidos, desde que condizentes com a idade dos atletas, é de suma importância que sejam feitos exames médicos regulares, para um acompanhamento constante dos garotos. Essa prática pode prevenir uma série de complicações de deficiências orgânico-funcionais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MATURAÇÃO BIOLÓGICA X DESEMPENHO FÍSICO

A maturação refere-se ao momento e ao cronograma do progresso para o estado biológico maduro. As pessoas mudam consideravelmente na sua constituição durante a maturação. A distinção fundamental entre crescimento e maturação é que o crescimento está focado no tamanho e maturação está focada no progresso ou taxa para se alcançar o tamanho (GALLAHUE & OZMUN, 2003). O crescimento e maturação são essencialmente processos biológicos, enquanto que o conceito de desenvolvimento tem um alcance mais amplo e envolve domínios, principalmente, do comportamento (FONSECA, 1988).
A atividade física é importante no estilo de vida da criança e adolescência e pode ter muitas formas, incluindo atividade de lazer, exercício, educação física na escola, e esportes organizados. Acredita-se que a atividade física durante a infância tenha influência benéfica na saúde do indivíduo na vida adulta. O comportamento do movimento são substratos da atividade física na qual são importantes para o crescimento do indivíduo e desenvolvimento funcional. A atividade física regular, por exemplo, normalmente é necessária para o ótimo desenvolvimento da capacidade de trabalho e potência do indivíduo (KOLB & WHISHAW, 2002).
As características do desempenho físico da criança estão relacionadas, em parte, ao seu crescimento, maturidade e desenvolvimento. O desenvolvimento do autoconceito é um aspecto geralmente negligenciado durante a infância e adolescência. Comumente é levado apenas em consideração em nível de crescimento biológico e maturação da criança. Por exemplo, sendo muito tardio ou precoce na maturação biológica (SCHIMIDT & WRISBERG, 2001).
A adolescência é o período mais difícil de definir em termos de idade, devido à variação no momento de seu início e término. Fica em média, o início e término, entre oito e 19 anos nas meninas e, entre 10 e 22 anos nos meninos (FONSECA, 1988). Em geral o padrão de crescimento e maturação é similar de um indivíduo para o outro. Existe uma considerável variabilidade individual no tamanho atingido e no tempo decorrido no crescimento e maturação nas diferentes idades.